Lázaro! Vem para fora!

 

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Jesus estava bem longe de Betânia quando recebeu a notícia de que Lázaro estava para morrer. Marta e Maria mandaram-Lhe vários recados para vir rapidamente e realizar a cura física que elas esperavam, mas Ele não foi.

Jesus chegou quatro dias depois do enterro. As irmãs não queriam obedecer a Jesus que pedia para tirarem a pedra, porque o corpo do irmão cheirava mal. Jesus perguntou se tinham fé n’Ele. Esta é a resposta que Deus pede a mim, a você: “tens fé em Mim?”.

Olhemos concretamente a nossa vida. Também nós vivemos as mesmas dúvidas de Marta e Maria. Somos afogados nas provações e sofrimentos e a nossa fé, por causa disso, se faz pequena e vacila, ficando desnorteada e enfraquecida. A realidade que Jesus nos propõe é outra. Ele sabe que as provações chegam e chegarão, mas são como nuvens que passam. A promessa do céu não passa. Ele nos espera na Terra Prometida que Ele já conquistou: o Paraíso.

Lázaro, vem para fora!”(Jo 11,43)

Jesus nos diz as mesmas palavras que gritou para Lázaro: “Vem para fora!”. Sim, devemos sair do nosso mundo bem pequeno e mísero que vive de misérias, que nos leva à morte. É ou não é verdade que o nosso dia a dia é exclusivamente ocupado por coisas inúteis e passageiras? As nossas preocupações são o que iremos comer, qual a roupa que devemos usar no casamento, pensando que devemos ser os melhores, porque na outra vez a minha amiga tinha um vestido que todos admiraram e não olharam o meu, ou vivemos preocupados porque o carro deve ser melhor e mais potente do que o do meu amigo.

Digamos a verdade: não vivemos mergulhados nestas míseras e banais preocupações? Por acaso não acontece de que tento continuamente me tornar melhor na capacidade de pregar a Palavra para me tornar mais perfeito do que o outro ou fazer uma oração ou uma “profecia” mais potente do que o outro?

Quanto é mísera e frágil a nossa fé!

Jesus nos encontra como Lázaro: mortos no sepulcro do nosso egoísmo, orgulho, vaidade, soberba, ganância. É impressionante. Chegaria a dizer que nós, todas às vezes, somos como zumbis que caminham no meio dos outros. Mortos acreditando que somos vivos. Mortos – vivos! E assim passamos, deixando atrás de nós cheiro feio, fedor de cadáver.

Peço desculpa se chego a dizer estas coisas com tanta clareza, mas a realidade é esta. Tantas vezes somos mortos, egoístas e orgulhosos que circulam no nada da nossa vaidade, deixando morrer aquilo que, ao invés, é a Vida: a humildade!

Como Lázaro, já estamos mortos há quatro dias, fedorentos!A coisa mais triste é que, com o tempo, vamos nos encher de chagas purulentas devido ao nosso não a nos convertermos e nos defendemos considerando que são os outros que erram, pecam e não compreendem as nossas escolhas. A culpa é sempre dos outros e, agindo assim, os pecados vão sujando a nossa alma, cada vez mais, de feridas.

Jesus, inicialmente, o que faz? Na frente do sepulcro de Lázaro, chora. Perto, próximo da nossa pessoa, ele chora amargamente, porque nos enterramos no sepulcro (dos nossos pecados) com as nossas próprias mãos, na inteligência e vontade. Olhando a nossa miséria e considerando que não temos mais esperança, sai da nossa boca a mesma expressão que Marta disse a Jesus: “Senhor, já cheira mal, é o quarto dia que o sepultamos” (Jo 11,39). É o nosso grito desesperado, porque sentimos e pensamos não ter mais possibilidade de sair da lama dos nossos pecados. Jesus, vendo a nossa alma destruída, morta, chorando, expressa a mesma pergunta que fez a Marta: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” (Jo 11, 40)

Aqui brota o momento ápice que exige um ato violento da a nossa pessoa: acreditar, ter fé no poder de Jesus. Ter certeza que Deus pode nos tirar do sepulcro do nosso egoísmo, soberba, miséria.

Deixemos que Jesus possa dizer para nós a palavra do Evangelho: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste”! Dito isto, exclamou com voz forte: Lázaro, vem para fora!” (Jo 11,43)

Sim, acreditamos e fazemos este ato de fé. Jesus, AGORA, está dizendo para cada um de nós: “Marco, Antônio, Elizangela, Carlos, Paula… Vem para fora!” (Jo 11,43).

Entregamos a Ele toda a nossa pessoa e serenamente, em plena alegria, recomeçamos sem medo, mas sempre olhando ao alto. Deus não olha os nossos pecados passados, mas nos diz as mesmas palavras que falou para Pedro depois da traição: “Simão, tu me amas?” (21,15ss)

Para Jesus, a única coisa que vale é que você o ame, porque Jesus nos ama sem medida.

Faça este ato de fé e a sua vida se tornará outra: cheia de felicidade e amor, porque foi amado! Tenha certeza, o sepulcro se tornará vazio como o sepulcro de Lázaro e de Jesus!

Lázaro, vem para fora!”(Jo 11,43)

Padre Antonello Cadeddu

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