O caminho correto

Para alguém ir contra a correnteza num rio caudaloso, precisa conduzir-se num barco com força de superação do impulso da água contrária. Mais ainda: a pessoa de ideal elevado deve estar bem estruturada em sua personalidade, convicção, força de vontade e tenacidade para não sucumbir nas ondas atrativas e até fantasiosas das ofertas de bem estar focalizado no transitório como valor absoluto. Assim, as ofertas de comodidades, prazeres e falta de compromisso com a ética, a justiça, a honradez e a dignidade humana fazem relativizar valores maiores como o bem, fundamentado em verdades inerentes à natureza humana e no projeto do Criador.

O sacrifício, a renúncia e o peso da cruz na busca de um tesouro do ideal de vida são evitados e rejeitados por quem não quer se exercitar para a conquista de um objetivo. Este vai além das gratificações ou dos prazeres momentâneos e até dos vícios que, aos poucos, corroem a vida de sentido mais elevado das pessoas.

O Papa Francisco teceu consideração, no Rio, sobre a cruz presente na vida. Assumida com o amor e o exemplo de Jesus, ela se torna benéfica quando se busca um Idea elevadol. O próprio Jesus a carregou e a tornou instrumento de salvação para nós. Ele nos ajuda a carregar a nossa, quando O deixamos estar presente conosco: “Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida, que o Senhor não venha compartilhar conosco” (Via Sacra na Praia de Copacabana).

Falando para a juventude o Pontífice ensina: “Tenham a coragem de ir contra a corrente. E tenha a coragem de ser felizes” (encontro com os Voluntários). De fato, saber contrariar os instintos pessoais e os atrativos da sociedade que não agregam valores consistentes exige força de vontade. Torna a pessoa de tal modo fortificada a dar-lhe base para a alegria e a felicidade, por ser capaz de romper com os condicionamentos não fecundantes de sua realização.

Jesus convida os discípulos para andarem por um caminho mais exigente: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita” (Lucas 13,24). Ele sabe que a tendência do ser humano é a de não fazer esforço para superar o comodismo. Por isso, apresenta a ascese ou exercitação para a prática do bem como caminho para se conseguir a realização do projeto de Deus. A renúncia ao egocentrismo, à imoralidade, à injustiça e a tudo o que fere a dignidade humana e as leis da natureza, bem como as leis reveladas por Deus fazem a pessoa viver de cabeça erguida. Assim, não coloca a finalidade da vida no que é transitório. Faz deste o uso adequado para atingir o absoluto de Deus. Como consequência e prática desse esforço, há a convivência solidária com o semelhante, com as virtudes da misericórdia, do respeito ao outro, da colaboração com o bem de cada pessoa, principalmente das mais fragilizadas, e de toda a sociedade.

O Papa Francisco no Rio conclamou a juventude a se “rebelar” contra a cultura do provisório buscada como absoluta. Também lembrou ao clero sobre a vida simples. Ele mesmo carregou sua maleta surrada e usa carro simples. Mostrou-nos o exemplo de Jesus pobre.

D. José Alberto Moura, CSS – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros com noticiascatolicas.com

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